A Ascensão de Trump e o Retorno do Protecionismo

A ascensão de Donald Trump ao comando da nação mais rica do mundo, provocou a celeuma mundial. Do dia para a noite surgiram especialistas em fim dos tempos e diversos profetas do apocalipse. Todos esses “analistas do caos” disseminavam em coro o que seria do mundo durante e após o governo de Trump. Grande parte dos analistas ainda acreditam que Trump não governará até o final usual do mandato.

No entanto, é necessário se ater a fatos e contra fatos não há argumentos. O presidente Trump é o reflexo da sociedade americana, até aí nenhum problema, já que em governos democráticos o presidente costuma ser o reflexo de seu povo. Nesse sentido, o grande choque com a vitória de Trump é que mesmo após o intenso show midiático e tentativas frustradas de desconstrução do discurso de Trump pelo quarto poder (mídia) o empresário acabou vencendo as eleições e trouxe consigo uma agenda política extremamente pragmática. Essa vitória representou um duro golpe sobre o “quarto poder”.

A agenda política de Trump inclui: revisão de acordos comerciais, reposicionamento da relação sino-estadunidense, redefinição do papel dos Estados Unidos nas Organizações Internacionais, aproximação da Rússia e recrudescimento do protecionismo. Essa agenda demonstra explicitamente o tratamento que os Estados Unidos sempre deram para os seus parceiros comerciais. Ou seja, até agora nenhuma novidade.  Acontece que o atual presidente manifestou à luz do discurso protecionista, o que o ex-presidente Barack Obama conduzia de forma discreta. Ambos agentes (Trump e Obama) defendem o protecionismo, a diferença consiste na forma do discurso.

O livro Chutando a escada do autor Ha-Joon apresenta a perspectiva dos países em desenvolvimento em relação às pressões que sofrem, por parte dos países desenvolvidos, para aderir ao programa de liberalismo econômico. Segundo os países desenvolvidos essa agenda é a receita para o sucesso. O que ocorre é que alguns desses países em desenvolvimento são excelentes em diversos produtos da pauta comercial mundial. É justamente nesse ponto que o discurso liberal fracassa, pois quando os países desenvolvidos percebem fragilidade em algum setor econômico, eles adotam instantaneamente medidas protecionistas. Desse modo, a desregulamentação a privatização e o liberalismo só funcionam além das fronteiras.

Assim, o Consenso de Washington não passa de uma grande ilusão. Após, os países desenvolvidos alcançarem status e poder mediante práticas protecionistas desrespeitando o direito internacional, o meio ambiente e ignorando qualquer legislação trabalhista; eles “chutam a escada” que foi a via por meio da qual alcançaram boa parte do desenvolvimento. Nesse sentido, após perda de espaço econômico no cenário internacional os EUA decidiram que hora de  “acordar” o protecionismo, e para essa função escolheram um candidato que não tivesse medo de passar a imagem de retrógrado e tivesse coragem suficiente para impor essa nova agenda política.

 

Referência Bibliográfica: Chutando a Escada: a estratégia do desenvolvimento em perspectiva histórica

Ha-Joon Chang São Paulo: Editora UNESP, 2004.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s