A Conjuntura Científica e Tecnológica Brasileira

O presidente Michel Temer anunciou cortes no orçamento do ministério de Ciência e Tecnologia, após assumir a presidência da república em 2016. Esse anúncio reflete a importância que o governo federal atribui à pasta. Apesar de alguns programas e incentivos como: o Ciência sem Fronteiras, o Brasil ainda investe aquém do necessário ao considerar o tamanho do país e o grande potencial em diversos setores, por exemplo: a biodiversidade, as matrizes energéticas e os recursos minerais. O orçamento que já era esquálido em relação ao PIB (menos de 3%) passou a ser ainda menor.

É importante destacar que a responsabilidade pelo ambiente científico e tecnológico brasileiro não é atribuição exclusiva do governo federal. As universidades, as instituições de pesquisa tecnológica – ICT´s –  a sociedade civil e as empresas privadas também devem assumir essa responsabilidade. No caso das universidades, a exigência por recursos não se traduz em nova patentes, em soluções para a sociedade, nem ao menos em alguma aplicação prática. Na maioria das vezes, os resultados das pesquisas acabam virando algum suporte de monitor.  Além disso, a inovação é suplantada pela repetição automática de modelos teóricos esgotados.

Em relação as empresas privadas, o discurso é sempre o mesmo. Não há condições ambientais para investir em pesquisa, inovar ou assumir os riscos para criar um produto ou serviço novo. Pois, os recursos são escassos e a prioridade é manter as operações funcionando. Nesse contexto, as empresas privadas tratam a inovação como uma palavra exótica, algo impossível de ser alcançado. Nesse sentido, a inovação não está presente no planejamento estratégico dessas empresas. A principal iniciativa das empresas privadas no que concerne à inovação, se resume ao incentivo dado aos funcionários para que façam os repetidos MBA`s.

A sociedade civil, por sua vez, permanece à margem do assunto. Não sabe do que se trata, não se manifesta e nem ao menos lê sobre o tema. As percepções, quando existem, são genéricas e rasas. Os jovens são estimulados pelos pais a estudarem áreas tradicionais e a não se arriscarem em profissões de cunho científico. A exceção é a informática. A prova é a marca que o Brasil atingiu em número de advogados, passou de um milhão. Ou seja, mais do que o número de habitantes de muitas capitais brasileiras.

É evidente que o papel do Estado no desenvolvimento científico e tecnológico é fundamental. Sem o apoio do governo federal, o ambiente científico e tecnológico brasileiro será relegado a um punhado de “ilhas”. A aproximação das universidades junto as empresas privadas na busca de soluções para os problemas existentes deve ser cada vez mais comum. Seja por meio de editais ou pela concessão de espaços de inovação dentro das universidades.  A sociedade civil deve reivindicar mais atenção e investimentos em ciência e tecnologia com a mesma intensidade que reivindica questões sociais e ideológicas. Por fim, é necessário estímulo para que jovens talentos se interessem pela ciência e tecnologia e não tenham medo de se aventurar no tema recebendo a recompensa de acordo com os resultados alcançados. De outro modo, o Brasil será o eterno “país do futuro” e o grande exportador de commodities do passado.

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